Lockdown horizontal: prós e contras para a saúde e emprego





A pressão está ficando cada vez mais forte em cima do Governo Federal sobre quais seriam as medidas mais sensatas para preservar vidas e ao mesmo tempo evitar um colapso econômico.

Nos Estados Unidos, os últimos números de pedidos de seguro desemprego já apontam praticamente o dobro do esperado pelos analistas. Mais de 3 milhões de novos pedidos por lá. Mas e por aqui? No Brasil como estaremos nos próximos meses? Alguns falam em 20% de desempregados, ou seja, 40 milhões de brasileiros sem ter um trabalho. É um cenário onde tudo pode mudar, dependendo da estratégia a ser utilizada neste momento para conter o surto do coronavírus.




Hoje no Brasil está sendo aplicado nos estados o Lockdown Horizontal, ou seja, apenas o serviços essenciais estão autorizados a funcionar, obrigando que todas as pessoas fiquem em suas casas com o objetivo de diminuir a curva de infecção e não sobrecarregando o sistema de saúde nacional. Se não forem considerados outros fatores, o isolamento social certamente é a forma mais eficaz de não espalhar o vírus de forma drástica na sociedade. Com isso, em dois ou três meses teríamos a possibilidade de aos poucos deixarmos o isolamento e com chances mais reais de liquidar a epidemia. Mas… de outro lado, como as empresas conseguem se sustentar com seu quadro de funcionários todo parado? A resposta é simples: não conseguem.

Se por um lado o Lockdown Horizontal pode salvar vidas e poupar o sistema de saúde, por outro, se muito prolongado poderá causar problemas realmente graves em toda a economia brasileira. Empresas já começaram a demitir, e isso é apenas o começo de algo muito grave que está por vir. O número de desempregados será gigantesco se não houver um “meio termo” entre a liberação total e o isolamento geral. Os jovens, que são o grupo de menor risco, ou em que os sintomas são mais brandos, não podem ficar parados em casa por três meses esperando que algo “caia do céu”. Por outro lado, parece egoísmo com a classe de risco (idosos, diabéticos, hipertensos, asmáticos, etc.) ao deixá-los ainda mais expostos ao terrível vírus que nestes casos a mortalidade pode chegar a 20%.


Neste momento é necessária a opinião clara de especialistas e cientistas e não de políticos. Precisamos da opinião de quem sabe o que está dizendo. Precisamos de medidas sábias orquestradas pelo Ministério da Saúde, e com certa urgência. Os números (estatísticas) precisam ser analisados de forma a se tomar atitudes que amenizem a dor da população, tanto na questão da saúde quanto no iminente desemprego (ou corte de salários) que fatalmente iremos observar nas próximas semanas.

A crise do coronavírus não pode ser tratada de forma igualitária em todos os países. Cada qual tem o seu perfil demográfico e cultural.  Na Itália, por exemplo, especialmente ao norte, o índice de idosos é intenso. No Brasil, os Estados de Santa Catarina e Rio Grande do Sul é onde se abriga o maior percentual de idosos. Já no nordeste, o quadro é bem diferente, até mesmo no número de infectados. Esta crise precisa ser tratada regionalmente, e não nacionalmente. O Brasil tem dimensões continentais. Esperamos atitudes sábias do Governo Federal para que os brasileiros não sejam impactados de forma tão grave como está sendo desenhado. É o momento de se escolher entre mais 10 anos de crise econômica ou um equilíbrio entre a saúde e a economia. Conhecer o ponto certo para o Lockdown Vertical será fundamental para tomar as medidas corretas para toda a população.



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