Trabalhar ou não trabalhar? Diretor-geral da OMS sugere preservação do trabalho dos mais pobres



O diretor-geral da OMS, Tedros Adhanom, defendeu que as autoridades devem se preocupar com o bem estar dos cidadãos mais pobres, aqueles que necessitam sair de casa todo dia para poder ter o que comer.

Segundo o diretor, o isolamento social é importante para ganhar tempo e evitar sobrecarga nos sistemas de saúde, mas é preciso levar em conta que existem pessoas em situação vulnerável cuja própria sobrevivência está em risco caso sejam adotados lockdowns muito restritos.



“Não é uma questão do quanto o PIB vai cair, mas sim de pessoas que vão ficar sem ter o que comer”, lembrou o diretor.

Segundo ele, alguns países possuem sistemas de segurança social mais abrangentes, mas a realidade é que muitos não só não possuem como não têm como implementar tais sistemas a curto prazo.



“É preciso pensar nos mais pobres”, enfatizou. O diretor defende que políticas públicas para garantir o sustento de pessoas vulneráveis sejam pensados pelos países em conjunto com as medidas de isolamento social.

Você pode assistir ao pronunciamento de Tedros através do link do Twitter aqui.

Quarentena pelo mundo

Cerca de 40% da população mundial está, no momento, vivendo sob algum tipo de quarentena, que vão desde orientações para evitar aglomeração, até medidas mais restritivas, como proibição de sair de casa para quem não desempenha atividade essencial.

Úteis para promover o isolamento social, as medidas estão longe de ser um consenso entre países. Suécia, Coreia do Sul e Japão decidiram por testes em larga escala e isolamento de doentes com resultado comprovadamente positivo, mas mantendo comércio, transporte coletivo e indústria funcionando, com algumas restrições. França, Itália e Espanha, países muito afetados pela pandemia e com grande percentual da população nos grupos de risco (idosos e pessoas com sérias doenças pré-existentes), adotaram medidas mais restritivas, como o lockdown (isolamento).

O que parece ser consenso, no momento, é que o isolamento vertical, isto é, isolamento exclusivo dos grupos de risco, não parece funcionar. O Reino Unido tentou e acabou por optar pelo lockdown horizontal.

Tratamento

Em meio à crise de falta de UTIs e respiradores artificiais, uma esperança: estudos preliminares apontam que o tratamento com hidroxicloroquina, um antiviral usado contra malária, azitromicina, um antibiótico, e suplementação de zinco são efetivos contra a covid-19, retardando o progresso da infecção e evitando a principal complicação, a pneumonia.

O tratamento já havia sido usado com sucesso na epidemia de SARS de 2002 (também causada por um vírus do tipo corona) e recebeu aprovação emergencial da FDA, como tratamento válido até que surja uma terapia mais eficiente.

No entanto, ressaltamos que o leitor não deve tomar tais medicamentos por conta própria. Jamais se auto medique, deixe que um médico te avalie e decida qual é a dosagem e tratamento corretos.

Previsões para a doença

Embora seja uma doença altamente transmissível e com complicação séria, cerca de 80% dos pacientes se revelarão assintomáticos ou com sintomas leves. Estima-se, por isso, que o número de pessoas efetivamente infectadas seja dez vezes superior ao número de casos confirmados, exceto na Alemanha e Coreia do Sul, onde os testes em larga escala provavelmente detectaram mais de 75% dos doentes.

Dados desses dois países corroboram uma taxa de mortalidade pequena (pouco abaixo de 1%). Embora não pareça alta, é uma taxa que pode levar a 200 mil mortos e lotação de hospitais mesmo em um país com medicina avançada e muitos recursos como os EUA, segundo previsão do Dr. Anthony Fauci, conselheiro da administração Trump na questão.

Portanto, colabore, tente manter o isolamento social e boa higiene, mas não deixe de trabalhar para sustentar sua família se lhe for necessário e permitido pelas autoridades.

Brasil

O Brasil é um país relativamente bem equipado para combater a pandemia, contando com o terceiro maior número de leitos de UTI no mundo e uma grande quantidade de respiradores artificiais. O país também tem o clima a seu favor, já que a transmissão do vírus é menor em temperaturas mais altas, vigentes em praticamente todo o país no momento. Isso contribui para tornar a disseminação da doença mais lenta.

No entanto, não deixe de tomar os devidos cuidados, especialmente se você precisa lidar com o público.

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