Escolas preparam alunos para o mercado de trabalho




Empresários de várias organizações como IBM, Stefanini e Natura estão passando a visitar escolas para conhecer melhor os futuros profissionais. Instituições como o Sesc de Ensino Médio, que está localizado na Barra da Tijuca, no Rio de Janeiro, recebem esses executivos e apresentam como funcionam o ensino da escola.

O Sesc de Ensino Médio possui 500 alunos e praticamente todos vêm de colégios públicos e de famílias com renda entre um e cinco salários mínimos. Dentre oito mil candidatos que concorrem a uma vaga na instituição, apenas 165 são selecionados. Os estudantes veem ali uma oportunidade de se formarem no ensino médio com uma qualidade maior, já que o Sesc foi eleito uma das dez melhores escolas do Rio de Janeiro.


A escola possui todas as disciplinas tradicionais, com um para a aplicabilidade do dia a dia. Até mesmo existe uma miniagência de publicidade para que os alunos pratiquem a criação de materiais e conteúdo para a comunicação interna da entidade. Há também um laboratório de fabricação de biodiesel para auxiliar as aulas de física e química. Na parte de História, Geografia e Biologia, os alunos visitam locais que possuem o legado dessas matérias.

Além de aprenderem com esse estilo prático de ensino, os estudantes acabam experimentando habilidades como autonomia, criatividade e trabalho em equipe. E isso é visível. Segundo a diretora de recursos humanos da IBM, Luciana Camargo, aqueles alunos estão bem mais preparados que a maioria dos adolescentes fora dali. “Fiquei impressionada com os alunos”, afirmou.

A experiência de ensino aplicada pelo Sesc mostra que dá resultado, contudo a realidade brasileira é bem diferente disso. Até mesmo a Organização para a Cooperação e o Desenvolvimento Econômico (OCDE) já discute alterar o exame Pisa para melhorias e outras exigências dos resultados.


Exames como o Pisa querem que as escolas invistam nesse diferencial para o desenvolvimento e amadurecimento das pessoas para o mercado de trabalho, mesmo que pareça um desperdício, já que apenas 10% dos alunos no Brasil concluem o ensino médio com conhecimento básico de matemática.

Mesmo que isso esteja longe de virar uma realidade por aqui, a mudança começa assim: mudando a relação entre escola e trabalho, dando mais qualidade ao ensino. E essa atitude precisa vir tanto do governo quanto das empresas que querem mostrar responsabilidade social.

A fabricante de softwares Totvs, por exemplo, seleciona cerca de 2 mil alunos por ano de várias escolas públicas para participarem de cursos. Essa aproximação de escola e mercado de trabalho pode dar bons frutos e abrir portas para uma nova educação. 

Por Carolina Miranda

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